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Nos últimos dias, o Brasil foi atingido pelo avanço da pandemia de COVID-19, o que ocasionou os primeiros impactos na estrutura de saúde pública do país e liga o alerta para o cenário econômico nacional. À medida que China – o epicentro da doença – retoma suas atividades após meses de quarentena, e que países europeus tomam providências para conter o avanço do COVID-19, passamos a entender melhor como a situação evolui em diferentes setores – incluindo o digital – e como alguns mercados ganham visibilidade nesse cenário. Confira quais as mudanças e oportunidades que o e-commerce pode encontrar pelos próximos meses.
Na China, primeiro país que sentiu os efeitos da pandemia, cadeias de suprimentos e entregas foram significativamente afetadas pelo isolamento, conforme alertou o CEO do Alibaba, Daniel Zhang. Mesmo antes da disseminação do COVID-19 para outros países, negócios no mundo todo enfrentaram problemas devido ao surto na China.
Empresas que importam produtos de um dos maiores fornecedores do mundo enfrentaram problemas de estoque, deixando seus próprios clientes desassistidos. Lojas que seguem o modelo de dropshipping também enfrentaram dificuldades: como seus produtos são enviados diretamente da China, o prazo de entrega também foi afetado.
Com a retomada da jornada de produção chinesa, o fornecimento de mercadorias está sendo normalizado, minimizando os impactos da cadeia internacional que se alimenta de seus produtos. Esses e outros desafios têm impactado o e-commerce ao redor do mundo.
Venda de produtos para saúde aumenta mais de 160%
Os números estão virando! O que começou com uma leve queda geral no mercado nacional, agora projeta uma curva positiva de consumo online em determinados segmentos. Em fevereiro de 2020, as vendas no e-commerce brasileiro caíram 7,7% quando comparado ao mês de janeiro, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Compre & Confie. O resultado é em razão da cautela dos consumidores digitais, que evitam compras cross-border de lojas online baseadas em países mais afetados pelo vírus.
Ainda, é seguro dizer que, à medida governos ao redor do mundo orientam a população a permanecerem em casa, algumas categorias do e-commerce devem aumentar suas vendas, especialmente nos segmentos de Comida & Bebidas e Farmácia.
Incentivo para o consumo digital
Com o avanço da doença, a população é encorajada a ficar em casa como forma de mitigar o contágio. Essa medida, eventualmente, aumentará a demanda digital, já que os serviços de entrega são as melhores alternativas para comprar bens de consumo não-duráveis e evitar multidões.
Picos em pesquisas na gigante Amazon por produtos como desinfetantes para as mãos e sabonete antibactericida, foram reportados pelo eMarketer. Para evitar as lojas, consumidores – especialmente os idosos – estão mais dispostos a comprar online, mesmo com um prazo de entrega maior.
Na China, durante o surto, mais da metade dos consumidores (55%) utilizaram plataformas de e-commerce para se abastecer, segundo pesquisa feita pela consultoria Kantar em mais de mil lares chineses. A quarentena estimulou as compras coletivas no país. Segundo o levantamento, o WeChat, aplicativo de mensagens semelhante ao WhatsApp, porém com mais funcionalidades, é considerado por 35% das famílias chinesas como um novo canal de compras.
Esse novo hábito recentemente introduzido para consumidores digitais esporádicos, que agora são encorajados a aumentar o seu consumo online deverá ser acompanhado de perto pelo mercado, uma vez que desafios para manter os prazos com a cadeia de suprimentos e logística devem surgir.
O primeiro caso de COVID-19 no Brasil foi reportado no dia 25 de fevereiro. Com recomendações de permanecer em casa e evitar aglomerações sociais, o e-commerce brasileiro pode encontrar uma oportunidade para se fortalecer e continuar incentivando a economia local, mesmo mediante a muitas incertezas. Varejistas de todos os segmentos estão tomando medidas para encorajar o consumo digital. A Magazine Luiza, por exemplo, disponibilizou o frete grátis no seu SuperApp para produtos que podem ajudar a conter o vírus.
O iFood, aplicativo de delivery, criou um fundo de R$ 50 milhões para pequenos comerciantes locais e vai antecipar recebíveis dos restaurantes que operam na plataforma. O aplicativo também iniciou testes de entrega sem contato para conter o vírus.
Para estimular as pessoas a ficarem em casa, a Claro anunciou que assinantes de banda larga fixa terão a velocidade aumentada gradativamente. Além disso, canais de TV por assinatura serão liberados sem custo, incluindo canais jornalísticos, de filmes, esportes e outros.
Como os consumidores digitais brasileiros vão continuar reagindo a esse cenário – e lojas e-commerce vão agir diante da alta demanda – é algo que vamos descobrir ao longo dos próximos meses. Mas se acena no horizonte nuances positivas para mercados online estratégicos que podem e devem contribuir para manter a economia brasileira ativa.
Paula Martins is a journalist specializing in Marketing. Her areas of expertise include payment methods, digital payments, and e-commerce. Currently, she works as a Marketing Analyst at PagBrasil. Throughout her professional journey, Paula has provided Digital Marketing consulting services to over twenty companies across Brazil in the Technology, Fintech, and Communication sectors. She has also written for the local newspaper Zero Hora – one of the largest newspapers in the southern region of Brazil – and worked as a freelance writer for the content agency Rock Content, contributing to more than a hundred articles.