Qr payments in argentina
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Como as instituições financeiras podem habilitar pagamentos por QR Code interoperáveis na Argentina

Publicado em 04/09/2026

Principais conclusões

  • A Argentina possui um sistema de pagamentos por QR Code interoperável muito bem estabelecido, permitindo que os consumidores paguem comerciantes locais por meio de bancos, carteiras digitais e sistemas de pagamento participantes, utilizando uma única infraestrutura de QR.
  • Essa interoperabilidade é doméstica desde sua concepção, portanto, as instituições financeiras de fora da Argentina precisam de uma conexão transfronteiriça para permitir que seus clientes paguem em códigos QR locais.
  • O RoamingPay oferece essa conexão, permitindo que os clientes paguem QR Codes argentinos por meio de seu aplicativo bancário ou de sua carteira digital habitual, enquanto os comerciantes continuam utilizando sua infraestrutura de QR já existente.
  • Para as instituições financeiras, habilitar métodos de pagamento locais no exterior ajuda a manter os clientes e suas transações de pagamentos dentro de seu próprio ambiente, criando oportunidades para maior engajamento, aumento do volume de transações internacionais e geração de receita.

A Argentina construiu um dos ambientes de pagamentos por QR Code interoperáveis mais consolidados da América Latina. Em dezembro de 2025, os pagamentos por QR interoperáveis atingiram 95 milhões de transações em um único mês, um aumento de 51,9% em relação ao ano anterior, de acordo com o Banco Central da República Argentina (BCRA).

Esse ritmo de crescimento continuou em 2026. O BCRA informou que, em junho, as transações interoperáveis realizadas pelo método PCT (Pago con Transferencias – Pagamento com Transferências) atingiram um novo recorde histórico de 109,4 milhões, sendo 108,2 milhões — ou 98,9% — iniciadas por meio de códigos QR.

Por trás dessa escala está o Transferencias 3.0, a estrutura regulatória do BCRA que estabeleceu as regras que permitiram que os sistemas e a infraestrutura de pagamentos existentes na Argentina se tornassem interoperáveis. Isso significa que os consumidores podem utilizar um aplicativo bancário ou de carteira digital compatível para escanear um QR Code interoperável do comerciante, independentemente do provedor do QR.

Mas há uma limitação importante à interoperabilidade da Argentina: ela foi criada para conectar participantes dentro da infraestrutura de pagamentos doméstica do país. A princípio, um cliente cujo banco ou carteira digital opera em outro país não pode usar esse aplicativo para pagar o mesmo código QR quando estiver visitando a Argentina.

Ampliar esse acesso aos clientes de instituições financeiras estrangeiras exige uma forma de conectar seus aplicativos bancários ou de carteira digital existentes à infraestrutura de pagamentos local. Para entender como isso pode se tornar uma realidade, analisaremos como funciona o sistema de QR interoperável da Argentina, por que as instituições financeiras estrangeiras não podem acessá-lo diretamente e, por fim, o que é necessário para viabilizar a interoperabilidade entre diferentes países.

Como funcionam os pagamentos por QR Code interoperáveis na Argentina?

O sistema de pagamentos por QR Codes interoperáveis da Argentina é estruturado em torno do Pago con Transferencia (PCT), um método de pagamento de conta para conta (A2A) que permite que os valores sejam movimentados diretamente entre contas bancárias e contas de pagamento. Os códigos QR se tornaram a principal forma de iniciar essas transações, oferecendo uma maneira simples de pagar tanto pessoas físicas quanto empresas.

Para entender como essa experiência funciona entre diferentes bancos, carteiras digitais e sistemas de pagamento, é importante começar pelo que acontece por trás do QR quando um cliente realiza um Pago con Transferencia.

Pago con Transferencia: o pagamento por trás do QR

O Pago con Transferencia (PCT) permite pagamentos e transferências imediatos de conta para conta dentro do sistema de pagamentos da Argentina, incluindo pagamentos de bens e serviços. Essas transações podem ter origem em contas bancárias, identificadas por uma Clave Bancaria Uniforme (CBU) – Chave Bancária Uniforme -, ou em contas de pagamento, identificadas por uma Clave Virtual Uniforme (CVU) – Chave Virtual Uniforme.

Quando o PCT é utilizado para pagar um comerciante por meio de QR Code, o cliente escaneia o código usando um aplicativo bancário ou de carteira digital compatível e autoriza o pagamento a partir de sua conta. A transação é então processada pela infraestrutura de pagamentos imediatos da Argentina, permitindo que o comerciante receba os recursos diretamente em sua conta.

Essa infraestrutura de conta para conta é o que está por trás da experiência de pagamento por QR. Mas o PCT, por si só, não explica como os pagamentos podem funcionar entre diferentes participantes do sistema de pagamentos argentino. É aí que entra a interoperabilidade.

Como funciona a interoperabilidade do QR

Com a interoperabilidade, o código QR gerado por um comerciante não fica restrito a clientes que utilizam um determinado banco ou carteira digital. Um único QR interoperável pode ser reconhecido entre diferentes sistemas de pagamento participantes, dando aos consumidores a flexibilidade de pagar por meio de um aplicativo bancário ou de carteira digital compatível.

Para os comerciantes, isso significa que eles podem aceitar pagamentos originados de diferentes contas e aplicativos participantes por meio da mesma infraestrutura de QR, em vez de depender de códigos QR separados vinculados a provedores individuais.

Na Argentina, esse modelo interoperável se concretizou por meio do Transferencias 3.0, uma estrutura estabelecida pelo Banco Central da República Argentina (BCRA). Em um mercado que já contava com redes privadas de códigos QR amplamente adotadas, o Transferencias 3.0 introduziu regras que exigiam que esses sistemas existentes fossem interoperáveis. A interoperabilidade completa de QR entrou em vigor em novembro de 2021.

Há, no entanto, uma importante limitação para essa interoperabilidade. O Transferencias 3.0 conecta apenas participantes dentro do sistema de pagamentos doméstico da Argentina. Um banco ou carteira digital estrangeira que queira permitir que seus clientes paguem QR Codes no país não é automaticamente conectado à infraestrutura de pagamentos local simplesmente porque o QR em si é interoperável.

Por que as instituições financeiras estrangeiras não podem simplesmente se conectar ao sistema interoperável da Argentina?

A interoperabilidade de QR da Argentina depende de conexões entre bancos, carteiras digitais, sistemas de pagamento e outros participantes que operam dentro da infraestrutura de pagamentos doméstica do país. O Transferencias 3.0 criou a estrutura para que esses participantes interajam, mas essas conexões não se estendem automaticamente às instituições financeiras que operam fora da Argentina.

Isso fica mais claro quando analisamos o que acontece além do próprio QR. A leitura do código fornece as informações necessárias para iniciar o pagamento, mas a conclusão da transação também exige que esses dados sejam trocados com os participantes relevantes, que o pagamento seja encaminhado pelo sistema local e que os recursos cheguem à conta do comerciante na Argentina. Esse processo depende da infraestrutura doméstica de contas, dos sistemas de pagamento, das mensagens e da compensação, incluindo entidades como a COELSA – Compensadora Electrócnjica SA, uma das câmaras de compensação da Argentina.

Uma instituição financeira estrangeira está fora dessas conexões existentes. Permitir que seus clientes paguem QR Codes argentinos, portanto, exige mais do que tornar o QR legível a partir de seu aplicativo. A instituição precisa de uma forma de conectar um pagamento originado em seu próprio ambiente financeiro à infraestrutura doméstica necessária para concluí-lo localmente na Argentina.

Fazer a ponte entre esses dois ambientes de pagamento é o que torna possível a interoperabilidade transfronteiriça.

Como os clientes podem pagar QR Codes argentinos por meio de um aplicativo bancário ou carteira digital estrangeira?

Fazer essa conexão exige uma tecnologia capaz de integrar a instituição financeira estrangeira ao sistema de pagamentos local da Argentina sem alterar a forma como nenhum dos lados opera. O RoamingPay, tecnologia da PagBrasil, oferece essa conexão, permitindo que bancos e carteiras digitais de fora da Argentina ofereçam a seus clientes acesso a pagamentos por QR argentinos por meio de seus aplicativos atuais.

Para o cliente, essa conexão se traduz em uma experiência de pagamento simples. Primeiro, ele escaneia o QR Code do comerciante argentino a partir do aplicativo de seu banco ou carteira digital participante.

Em seguida, o RoamingPay permite que a conversão de moeda necessária aconteça nos bastidores, possibilitando que o cliente veja o valor em sua própria moeda antes de autorizar o pagamento. Após a confirmação, a transação é concluída por meio da infraestrutura de pagamentos local da Argentina, e o comerciante recebe os recursos em pesos argentinos em tempo real.

Para uma visão passo a passo de como funciona uma transação do RoamingPay, desde a iniciação até a liquidação, consulte nosso guia completo do RoamingPay.

Isso significa que nenhum dos lados precisa adotar a experiência de pagamento do outro mercado. O cliente pode pagar por meio do aplicativo bancário ou de carteira digital que já utiliza, sem precisar abrir uma conta na Argentina ou usar uma carteira digital local. O comerciante continua aceitando pagamentos por meio da mesma infraestrutura de QR interoperável e recebendo os recursos localmente em pesos.

O resultado é uma experiência de pagamento transfronteiriça que aproveita baseia a infraestrutura já estabelecida em cada mercado.

O que uma instituição financeira precisa para habilitar pagamentos por QR na Argentina?

Para instituições financeiras de fora da Argentina, habilitar pagamentos por QR Codes argentinos significa estabelecer a infraestrutura necessária para receber uma transação iniciada em seu próprio ambiente e concluí-la por meio do sistema de pagamentos doméstico da Argentina. Sem um parceiro de interoperabilidade, isso significa lidar com diversas camadas de conectividade transfronteiriça, incluindo roteamento de transações, câmbio e liquidação local.

O RoamingPay muda o escopo dessa implementação. Em vez de criar conexões separadas com os diferentes componentes necessários para concluir o pagamento localmente, a instituição financeira se integra a uma única camada de interoperabilidade que gerencia a conexão com o ambiente de pagamentos argentino. Com o RoamingPay cuidando da infraestrutura necessária para se conectar ao sistema de pagamentos da Argentina, a instituição pode se concentrar em incorporar essa capacidade à sua própria experiência bancária ou de carteira digital e manter os clientes dentro de seu aplicativo mesmo quando eles realizam pagamentos no exterior.

É importante destacar que a integração não se limita à Argentina. O RoamingPay foi desenvolvido para conectar instituições financeiras a sistemas de pagamentos domésticos em diversos mercados (como o Pix no Brasil) por meio da mesma integração. À medida que a instituição amplia os mercados nos quais deseja oferecer recursos de pagamento locais, ela pode acessá-los por meio dessa mesma integração, em vez de tratar cada mercado como um projeto de infraestrutura completamente separado.

Atualmente, instituições financeiras brasileiras, argentinas e paraguaias já estão conectadas à infraestrutura da PagBrasil e seus clientes podem realizar pagamentos transfronteiriços na Argentina e no Brasil.

Roamingpay structure

Qual é a oportunidade de negócio para as instituições financeiras?

A Argentina atrai viajantes de mercados tanto dentro quanto fora da América Latina. Entre os viajantes internacionais que chegaram pelos dois principais aeroportos de Buenos Aires no primeiro trimestre de 2026, 27,8% vieram da Europa, 21,7% dos Estados Unidos e Canadá e 17,2% do Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (INDEC).

Para as instituições financeiras que atendem esses viajantes, isso cria uma oportunidade de permanecer no centro da experiência de pagamento enquanto seus clientes estão no exterior. A conveniência desempenha um papel importante na forma como as pessoas escolhem pagar. Assim, quando um turista encontra QR Codes em toda a Argentina, ele buscará uma maneira simples de utilizá-los — especialmente se já costuma pagar por meio dessa tecnologia em seu país de origem. Se sua principal instituição financeira não oferecer esse acesso, ele poderá recorrer a uma carteira digital ou a outro provedor que oferte essa possibilidade, além de outras opções, como cartões internacionais ou dinheiro em espécie.

Ao trazer aos clientes a possibilidade de pagar QR Codes na Argentina por meio do aplicativo bancário ou de carteira digital que já utilizam, as instituições financeiras podem permanecer como a principal interface para o pagamento, em vez de fazer com que os clientes procurem outra alternativa para pagar.

Manter essas transações dentro de seu próprio ambiente pode gerar volume adicional de pagamentos internacionais durante viagens, ao mesmo tempo em que mantém a visibilidade sobre a atividade dos clientes no exterior. Dependendo do modelo comercial da instituição, essas transações também podem gerar receita por meio de margens de câmbio e de outros serviços associados aos gastos internacionais, como programas de fidelidade e seguros de viagem.

A oportunidade também vai além de uma viagem ou destino específico. À medida que as instituições financeiras permitem que seus clientes acessem sistemas de pagamentos instantâneos em mais mercados, seus aplicativos podem se manter relevantes para uma parcela maior das atividades financeiras cotidianas no exterior — transformando a interoperabilidade transfronteiriça em uma extensão da proposta de pagamentos já existente da instituição.

Da interoperabilidade doméstica para o acesso transfronteiriço

A Argentina já construiu a infraestrutura para que bancos, carteiras digitais e sistemas de pagamento trabalhem em conjunto nos pagamentos por QR Code interoperáveis. Mas, como vimos, essa interoperabilidade foi projetada para funcionar dentro do ambiente de pagamentos doméstico do país.

O RoamingPay amplia esse modelo para além das fronteiras ao fornecer a conexão entre instituições financeiras estrangeiras e a infraestrutura de pagamentos local. Isso permite que as instituições ofereçam a seus clientes acesso a métodos de pagamento, como o QR Code interoperável da Argentina, por meio os aplicativos bancários e de carteiras digitais que eles já utilizam, enquanto os comerciantes continuam operando dentro de seu ambiente de pagamentos local existente.

À medida que mais países desenvolvem seus próprios sistemas de pagamentos instantâneos, conectar essas infraestruturas domésticas gera o potencial para que pagamentos que já funcionam bem localmente se tornem acessíveis internacionalmente. Para as instituições financeiras, o resultado é concreto: maior volume de transações internacionais, maior potencial de geração de receita e um papel mais relevante na forma como os clientes pagam quando viajam.

Fale com um especialista da PagBrasil sobre como permitir que seus clientes paguem QR Codes interoperáveis na Argentina e em outros países com o RoamingPay.

Perguntas frequentes sobre pagamentos com QR Code na Argentina

Viajantes estrangeiros podem pagar com QR Code na Argentina?

Sim. Por meio do RoamingPay, bancos e carteiras digitais participantes podem permitir que seus clientes escaneiem códigos QR interoperáveis na Argentina e concluam o pagamento por meio de seu aplicativo habitual.

No entanto, a infraestrutura de QR interoperável da Argentina não se estende automaticamente a aplicativos bancários e de carteiras digitais de outros países. Para acessá-la, a instituição financeira do viajante precisa estar conectada à infraestrutura de pagamentos transfronteiriços necessária.

Viajantes estrangeiros precisam de uma conta bancária argentina ou de uma carteira digital local para pagar com QR na Argentina?

Não. Clientes de instituições financeiras conectadas ao RoamingPay podem pagar QR Codes argentinos compatíveis por meio de seu aplicativo bancário ou de carteira digital habitual, sem precisar abrir uma conta bancária ou de pagamento na Argentina ou adotar uma carteira digital local.

Instituições financeiras estrangeiras precisam ter presença local na Argentina para oferecer pagamentos por QR Code a seus clientes?

Não. As instituições financeiras podem permitir que seus clientes paguem códigos QR interoperáveis na Argentina por meio do RoamingPay sem estabelecer uma presença local no país. O RoamingPay fornece a conexão com a infraestrutura de pagamentos doméstica da Argentina, permitindo que a instituição ofereça essa funcionalidade por meio de seu aplicativo bancário ou de carteira digital existente.

As instituições financeiras estrangeiras precisam gerenciar a liquidação em pesos argentinos?

Não. O RoamingPay gerencia o processo de liquidação transfronteiriça, enquanto o comerciante argentino recebe o pagamento em pesos em tempo real por meio da infraestrutura de pagamentos doméstica.

Para a instituição financeira estrangeira, o RoamingPay utiliza dólares ou euros como moeda de liquidação internacional, evitando a necessidade de gerenciar saldos em várias moedas locais.

Os comerciantes precisam se integrar ao RoamingPay ou alterar seu QR Code?

Não. O comerciante não precisa fazer nenhuma mudança. Ele continua utilizando seu QR Code interoperável existente e recebendo pagamentos por meio da infraestrutura de pagamentos local da Argentina, da mesma forma que faz atualmente.

Quais moedas os clientes podem utilizar para pagar QR Codes na Argentina? 

O cliente paga em sua moeda local, enquanto o RoamingPay gerencia o processo de liquidação nos bastidores para que o comerciante receba o pagamento em pesos argentinos em tempo real.

Como a taxa de câmbio é determinada quando um cliente paga um QR Code argentino?

A conversão de moeda ocorre em duas etapas. O RoamingPay converte o valor da transação de pesos argentinos para dólares ou euros, enquanto a instituição financeira converte esse valor para a moeda local do cliente.

O cliente vê o valor final em sua própria moeda antes de confirmar o pagamento. A taxa de câmbio do RoamingPay é garantida quando a transação é confirmada, proporcionando transparência e protegendo tanto o RoamingPay quanto a instituição financeira participante contra oscilações nessa parcela da conversão de moeda.

A mesma integração com o RoamingPay pode ser utilizada para habilitar pagamentos locais em outros países?

Sim. O RoamingPay foi desenvolvido como uma solução de interoperabilidade transfronteiriça, e não como uma integração específica para a Argentina. Por meio de uma única integração, as instituições financeiras podem conectar seus clientes a sistemas de pagamentos domésticos compatíveis em diversos mercados, ampliando os países nos quais podem oferecer recursos de pagamento locais sem precisar desenvolver um modelo de interoperabilidade separado para cada um deles.

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