Entrevista da PagBrasil para o relatório E-commerce no Brasil 2018

A PagBrasil teve o prazer que colaborar, junto com a SAP, Mazars, Teleperformance e Safe.Shop, no relatório E-commerce no Brasil 2018, publicado pela Ecommerce Foundation em dezembro de 2018. Para o relatório, nosso CEO, Ralf Germer, foi entrevistado e discutiu o m-commerce e pagamentos mobile. Confira a entrevista completa abaixo. Se você quiser saber todos os números mais recentes do mercado de e-commerce brasileiro, baixe o relatório aqui (material em inglês).

 

1 – O Brasil é chamado de “hipersocial”, o que se reflete no mundo digital. Com mais da metade das empresas usando as redes sociais, como você vê o futuro do m-commerce no mercado?

O m-commerce representa o futuro da indústria de e-commerce ao redor do mundo. Em países como a Coréia do Sul e o Reino Unido, ele já representa mais da metade de todas as vendas do e-commerce, e Japão, China e Estados Unidos não ficam muito atrás. O segmento mostra um crescimento estável em todas partes e este também é o caso no Brasil. De 2011 até a primeira metade de 2018, o m-commerce cresceu mais de 10.000%, passando de 0,3% para 32% de todas as transações de e-commerce.

A ampla adoção de smartphones, que cada vez mais se tornam a principal fonte de conexão à internet para os brasileiros de todas as classes sociais, representa uma oportunidade imensa. As redes sociais, que no Brasil já contam com 130 milhões de usuários de Facebook e 64 milhões no Instagram, são principalmente acessadas através de dispositivos móveis, o que também contribui para alavancar o m-commerce. Nos próximos anos, veremos um grande crescimento de vendas estimulados por estes dois elementos. Também acreditamos que compras in-app terão um papel essencial em estimular um crescimento de vendas constante.

Um dos principais desafios que ainda deve ser superado é a necessidade de métodos de pagamento que ofereçam uma experiência fluída em dispositivos móveis. Por exemplo, o boleto bancário, o método de pagamento alternativo mais popular do Brasil, foi desenvolvido para o mundo offline. Apesar de ter sobrevivido ao avanço do e-commerce, ele segue parado nos anos 90 em termos de layout e usabilidade. Além disso, os compradores normalmente esperam até três dias úteis para que o pagamento seja confirmado. A solução, neste caso, é oferecer um layout responsivo para uma experiência de pagamento otimizada nos dispositivos móveis, incluindo os pagamentos in-app, bem como proporcionar uma confirmação acelerada do pagamento. E isso é exatamente o que estamos oferecendo com o nosso Boleto Flash®.

Por isso, acreditamos que o m-commerce não será somente o principal alavancador do e-commerce, mas também para a indústria de pagamento. As redes sociais são, sem dúvida, o principal acelerador do m-commerce no Brasil.

 

2 – O Brasil ficou um pouco para trás na adoção dos smartphones, mas agora está avançando rapidamente. Como isso muda o cenário do e-commerce em termos de comportamento de compra e pagamento?

A adoção do smartphone é um avanço significativo; eu inclusive diria que é um grande avanço social. Até alguns anos atrás, a internet e o e-commerce eram coisas exclusivas das classes média e alta no Brasil, únicos que possuíam condições de comprar um PC e pagar por um pacote de internet em casa. Além disso, os smartphones eram muito caros nos seus primeiros anos.

Agora que os smartphones e os planos de dados são mais acessíveis, mais de 100 milhões de pessoas das classes sociais mais baixas passaram a ter acesso à internet. Estes consumidores também querem comprar no e-commerce, estudar online, consumir conteúdo, usar serviços através de apps ou paquerar online. Os smartphones são a única forma que eles têm de se conectar à internet.

Apesar de nem todos os brasileiros possuírem um smartphone ainda, 92% dos lares no país têm pelo menos um celular e 60% de todos os usuários de internet acessam a rede principalmente através de smartphones. O número de pessoas que navegam e compram usando seus smartphones crescerá exponencialmente à curto prazo. Por este motivo, os negócios de e-commerce brasileiros são forçados a se adaptar e oferecer uma experiência melhor para usuários de dispositivo móveis.

Por exemplo, o estudo Perfil do E-commerce Brasileiro 2018 indicou que, atualmente, 76% de todos os sites de compra do país são responsivos. Este é um avanço enorme em relação aos 24% de 2017 ou aos 16% em 2016. As lojas online sabem que não serão competitivas no mercado se não oferecerem uma boa experiência de navegação para os consumidores que acessam seus sites em dispositivos móveis. No que se refere a pagamentos, também vemos novas soluções pensadas para facilitar o checkout nestes dispositivos, visto que inserir muitos dados de cadastro pode gerar um incômodo e posterior frustração nos usuários. Pagamentos em um clique, Boleto Flash® e opções convenientes de pagamento móvel, como Android Pay, Samsung Pay ou Apple Pay, deverão ter mais participação de mercado nos próximos anos.

 

3 – O Brasil tem uma grande população de adultos não bancarizados. O que contribuiu para esta situação? E você acredita que isso mudará em um futuro próximo?

Cerca de 55 milhões de adultos brasileiros não possuem uma conta bancária. A maioria deles, obviamente, pertence à população mais pobre, mas há também um grande número de representantes da classe média que simplesmente prefere usar dinheiro.

Apesar do Banco Central do Brasil ter a inclusão financeira como um de seus objetivos e ter criado iniciativas que melhoraram a situação durante os últimos anos, o acesso universal aos serviços financeiros ainda não é uma realidade no país. Aproximadamente 20 milhões dos desbancarizados participam do sistema financeiro de alguma forma, seja através de cartões de débito pré-pagos ou outras iniciativas fintech, mas não possuem uma conta bancária tradicional.

Segundo dados do Banco Mundial, 58% destes adultos não bancarizados pertencem aos 40% dos lares mais pobres. Cerca de 60% dos desbancarizados brasileiros optaram por não ter conta bancária devido aos altos custos e outros 33% ficaram fora do sistema devido às distancias até a agência bancária mais próxima.

Este cenário deve mudar em breve, com o avanço de bancos digitais no Brasil, como NuBank, Neon e Next. Esta nova concorrência de baixo custo, combinado com o aumento da cobertura e penetração da internet, basicamente eliminará os dois principais motivos para não ter uma conta bancária. Os mais jovens, pelo menos, em regiões com boa cobertura de internet, devem adotar estes bancos rapidamente.

 

4 – Quais são os principais motivadores para que os compradores brasileiros comprem online com seus celulares?

Os brasileiros gostam de provar coisas novas e de modo geral são receptivos à tecnologia. Nas grandes cidades, com muito tráfego, normalmente é muito demorado ir de um lugar para outro para comprar produtos ou serviços específicos. Nas áreas rurais do quinto maior país do mundo e em cidades menores, onde metade da população mora, muitas coisas não estão disponíveis em lojas locais. Estes são os principais motivadores para o e-commerce.

Agora está ocorrendo a transição para o m-commerce, já que os smartphones são a principal fonte de conexão à internet. Além disso, melhores experiências de navegação e de compra nestes dispositivos somente incentivam mais esta tendência.

 

5 – O que o futuro trará em termos de pagamentos para o e-commerce brasileiro? Você acredita que novas formas de pagamento móvel, como em apps de mensagens, se tornarão mais popular?

Apps de bate-papo como o WhatsApp são muito populares no Brasil. O aplicativo, que pertence ao Facebook, tem aproximadamente 120 milhões de usuários ativos no país. Neste cenário, os pagamentos dentro deste tipo de app podem ser algo massivo. Existem algumas iniciativas e nossa equipe na PagBrasil também está trabalhando em soluções próprias, mas até o momento não há uma solução predominante no mercado.

Acreditamos que pagamento em dinheiro para celulares, que proporcionam uma forma conveniente de comprar produtos e serviços online, e também transferências instantâneas ponto-a-ponto, sejam áreas promissoras para explorar. O futuro dos pagamentos para o e-commerce no Brasil está sendo moldado por várias fintechs inovadoras, incentivadas pelo aumento do fluxo de capital de investimento local e internacional. Não me surpreenderia se o Brasil, e algumas de suas inovações em fintech, se torne destaque a nível mundial em um futuro próximo.

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