Desbancarizados no Brasil | Unbanked in Brazil
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Desbancarizados somam 34 milhões no Brasil

A pandemia do Covid-19 acelerou a digitalização ao redor do mundo. No Brasil, além do crescimento do e-commerce, vimos o aumento da utilização de serviços financeiros digitais – impulsionado, também, pelo pagamento do auxílio emergencial. O fenômeno acompanha a entrada do Pix, método de pagamento instantâneo do Banco Central que permite transferências imediatas 24 horas e é gratuito para pessoas físicas. O Pix estimulou a adoção dos pagamentos digitais no Brasil, trazendo mais inclusão financeira.

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Mas mesmo diante desse cenário, o Brasil ainda possui 34 milhões de adultos desbancarizados – ou seja, pessoas que não possuem conta bancária ou utilizam com pouca frequência. Os números são do levantamento do Instituto Locomotiva, realizado em janeiro de 2021.

 

Os números da desbancarização no Brasil

Segundo o estudo, 16,3 milhões não possuem conta bancária – número que representa 10% da população adulta. Outros 17,7 milhões – cerca de 11% – não movimentam a conta bancária há pelo menos um mês. No entanto, essa parcela de 21% movimenta R$ 347 bilhões anualmente.

Entre os brasileiros desbancarizados, predominam as mulheres jovens, com idades entre 18 e 29 anos. São, geralmente, pessoas que vivem no interior, pertencentes às classes D e E, e com formação até o Ensino Fundamental.

Ainda segundo o levantamento, entre os outros 79% da população, existem os sub-bancarizados, ou excluídos financeiros. São pessoas que, mesmo com conta bancária ativa, não aproveitam todos os serviços, como crédito, investimentos, meios de pagamento, seguros, entre outros.

 

Pandemia acelera inclusão financeira de desbancarizados no Brasil

Apesar dos dados, fato é que o número de desbancarizados no Brasil caiu. Em janeiro de 2020, o Instituto Locomotiva mostrou que o percentual de adultos sem conta em banco ou com uma conta pouco utilizada era de 29%.

Um dos elementos que impulsionou a inclusão financeira no Brasil foi o auxílio emergencial. De acordo com um estudo realizado por Americas Market Intelligence, encomendado pela Mastercard, 66 milhões de pessoas receberam o subsídio governamental.

Apelidado de coronavoucher, a forma como os brasileiros optaram por utilizar os recursos refletiu o apego da população ao dinheiro em espécie. No primeiro mês em que receberam o subsídio, muitos beneficiários transferiram os valores para outra conta bancária, para então sacar o valor integralmente.

As parcelas seguintes, no entanto, foram depositadas exclusivamente em contas digitais gratuitas da Caixa Econômica Federal. Os valores não poderiam ser transferidos e nem sacados em espécie por um período de cerca de 30 dias.

Essa estratégia, aliada a uma série de ações educativas focadas em orientar o cidadão ao uso do aplicativo Caixa Tem, incentivou a digitalização dos pagamentos: no dia 11 de maio, menos de 5% dos valores do auxílio haviam sido utilizados em transações digitais por meio do app. No dia 3 de agosto, o número saltou para 63%. O cartão de débito virtual teve o mais alto percentual de uso do total de transações, chegando a 36% em agosto.

Os dados mostram que, em meio a tantas dificuldades e limitações impostas pela pandemia, o cenário trouxe a oportunidade de incluir mais pessoas ao sistema financeiro. Isso trará mudanças importantes não apenas no mercado de meios de pagamento, mas em todo o ecossistema.

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