Principais conclusões
- A recorrência já está consolidada no mercado brasileiro, com presença em diferentes categorias de produtos e serviços e espaço relevante nos hábitos de consumo.
- O mercado continua evoluindo mesmo após alcançar escala, acompanhando mudanças na forma como consumidores avaliam, escolhem e gerenciam suas assinaturas.
- A infraestrutura de pagamentos recorrentes está se diversificando, com o Pix Automático adicionando uma alternativa baseada no Pix a um mercado historicamente apoiado nos cartões.
- Esse cenário amplia as oportunidades para as empresas, desde alcançar diferentes perfis de consumidores até gerar mais valor a partir da base existente e explorar a recorrência em diferentes modelos de negócio.
Tabela de Conteúdo
O consumo brasileiro tem sido marcado por diversas transformações. Uma delas, é a consolidação de modelos de receita recorrente, como as assinaturas, em diferentes momentos da relação entre consumidores e empresas.
O consumo por recorrência está longe de ser uma novidade. O que chama atenção no cenário atual é a escala que esse mercado alcançou e a forma como continua evoluindo, acompanhando mudanças nos hábitos de consumo, nas expectativas dos consumidores e na própria infraestrutura de pagamentos.
Neste artigo, reunimos dados e tendências do mercado de recorrência no Brasil para entender sua dimensão, como ele está evoluindo e quais oportunidades esse movimento pode criar para empresas que já operam ou pretendem operar com modelos recorrentes.
Qual é o tamanho do mercado de pagamentos recorrentes no Brasil?
A recorrência já ocupa um espaço relevante no consumo dos brasileiros, movimentando bilhões de reais e sustentando diferentes tipos de assinaturas e serviços.
Embora o mercado não se limite aos cartões, os dados desse meio de pagamento ajudam a dimensionar sua escala. Segundo a
Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), no primeiro semestre de 2026, o uso de cartões para compras em recorrência cresceu 34% em relação ao mesmo período de 2025, movimentando R$ 86,9 bilhões no Brasil.
O crescimento também não é pontual. No início de 2025, a Abecs já havia registrado uma expansão de 89% dos pagamentos com cartões em dois anos, mostrando uma trajetória consistente de avanço dessa modalidade.
Os dados sobre assinaturas ajudam a completar esse cenário do ponto de vista do comportamento do consumidor. Em 2024, uma pesquisa da Bango realizada na América Latina identificou que os brasileiros mantinham, em média, 3,8 assinaturas e gastavam R$ 1.416 por ano com esses serviços.
E os cartões representam apenas uma parte desse mercado. Desde 2025, o Pix Automático adicionou uma nova infraestrutura para cobranças recorrentes, ampliando as alternativas disponíveis para empresas e consumidores — uma transformação que abordaremos mais adiante.
Em conjunto, esses indicadores mostram a escala que as relações de consumo recorrente já alcançaram no Brasil, tanto pela presença das assinaturas quanto pelo volume e pela evolução dos meios usados para sustentar suas cobranças.
Como o mercado de recorrência está evoluindo?
A evolução do mercado de recorrência acontece em um contexto de crescente digitalização do consumo brasileiro. Em agosto, o jornal O Globo mostrou que, em comparação ao ano anterior, o Brasil registrou em 2025 uma alta de 15,3% no faturamento via e-commerce, movimentando R$ 235,5 bilhões.
Do ponto de vista do consumidor, dados compartilhados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, a CNDL, mostram que o e-commerce brasileiro já atingiu em 2026 seu maior patamar de penetração na população desde o início do acompanhamento feito pela instituição junto ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).
Dentro desse cenário, o mercado de recorrência também continua evoluindo. A consolidação das assinaturas nos hábitos de consumo, a importância do valor percebido e a busca por mais controle sobre os compromissos recorrentes ajudam a mostrar como essa evolução está acontecendo na prática.
As assinaturas se consolidaram nos hábitos de consumo
As assinaturas já fazem parte da rotina de consumo de uma parcela expressiva da população. Uma pesquisa realizada em 2024 com 2.000 consumidores brasileiros constatou que 88% relataram incluir serviços recorrentes em sua rotina de consumo. O estudo incluiu assinaturas como serviços de streaming, programas de benefícios de marketplaces, serviços de música, e delivery de comida.
Essa presença das assinaturas não está concentrada em uma única categoria de consumo. Uma pesquisa de 2024 realizada pela PagBrasil em parceria com a On The Go sobre clubes de assinatura identificou assinaturas em segmentos diversos, com destaque para saúde e bem-estar (30%), entretenimento (29%) e beleza (22%), além de categorias como bebidas, alimentação, moda, produtos para pets e itens para casa.
Essa diversidade acompanha mudanças mais amplas nos hábitos de consumo: em uma análise das tendências observadas em 2025 com potencial de permanecer em 2026, a McKinsey destacou justamente o avanço de saúde e bem-estar e de autocuidado e beleza entre os consumidores brasileiros.
Assim, mais do que a adesão a serviços tradicionalmente associados à recorrência, a presença das assinaturas em diferentes categorias mostra como esse modelo vem acompanhando a diversificação dos hábitos de consumo no Brasil.
Em um mercado mais maduro, o valor percebido ganha destaque
Com diferentes opções disputando espaço entre os gastos recorrentes dos consumidores, a evolução do mercado de assinaturas também pode ser observada pelos critérios que orientam suas escolhas.
Em uma pesquisa da McKinsey com 5.000 consumidores norte-americanos, a experiência e a entrega de benefícios tangíveis já apareciam como fatores relevantes na decisão de aderir e permanecer em modelos de assinatura.
No Brasil, a pesquisa realizada pela PagBrasil em parceria com a On The Go trouxe outro elemento dessa equação: em 2024, 67% dos entrevistados apontaram a sensação de exclusividade como um diferencial importante dos clubes de assinatura.
Dados mais recentes ajudam a mostrar que essa avaliação continua presente no mercado. Em pesquisa realizada pela Harris Poll em 2025, 84% dos consumidores afirmaram que o valor percebido de suas assinaturas havia se mantido ou aumentado no ano anterior.
Em um mercado no qual as assinaturas já disputam espaço em diferentes categorias de consumo, a escolha do consumidor não passa apenas por assinar ou não, mas por quais serviços, experiências e benefícios justificam ocupar um lugar recorrente em seu orçamento.
Consumidores esperam mais controle sobre suas assinaturas
À medida que as assinaturas ocupam mais espaço no consumo, cresce também a importância de conseguir visualizar e gerenciar esses compromissos com facilidade.
Em artigo publicado pela Mastercard em abril de 2026, a empresa aponta que dificuldades para gerenciar assinaturas, compreender seus custos ou realizar cancelamentos podem gerar frustração e contribuir para o churn.
Essa expectativa por mais autonomia também aparece nos dados da Mastercard: entre consumidores que utilizam cartões para pagamentos recorrentes, 77% gostariam de poder gerenciar suas assinaturas diretamente pelo aplicativo do próprio banco.
Embora o dado se refira especificamente às assinaturas pagas com cartão, ele aponta para uma expectativa relevante na evolução desse mercado: mais visibilidade e autonomia sobre os compromissos recorrentes.
No Brasil, essa discussão ganha uma nova dimensão com a evolução da própria infraestrutura de pagamentos. O Pix Automático permite que o consumidor autorize cobranças recorrentes e gerencie essas autorizações diretamente pelo aplicativo de sua instituição financeira, trazendo mais transparência e controle para a experiência de pagamento recorrente.
Essa combinação entre novas expectativas dos consumidores e novas possibilidades da infraestrutura de pagamentos ajuda a explicar por que o Pix Automático representa um avanço importante para o mercado de recorrência — como veremos a seguir.
Como o Pix Automático está transformando os pagamentos recorrentes?
Desde o seu lançamento, o Pix transformou a forma como os brasileiros pagam. Segundo o Banco Central do Brasil o Pix já superou o dinheiro como meio de pagamento mais usado no país.
Essa presença também se estende ao e-commerce. Segundo o The Global Payments Report 2026, o Pix representou 42% dos pagamentos digitais no setor no ano passado.
Até recentemente, porém, os pagamentos recorrentes permaneciam fortemente associada a outros meios de pagamento, especialmente os cartões. O lançamento do Pix Automático pelo Banco Central, em junho de 2025, ampliou esse cenário ao incorporar ao ecossistema Pix uma infraestrutura específica para cobranças recorrentes.
Com o Pix Automático, o consumidor pode autorizar cobranças recorrentes vinculadas à sua conta, sem precisar aprovar cada pagamento individualmente. Para o mercado, isso significa que empresas passam a contar com mais uma alternativa para estruturar cobranças recorrentes, enquanto consumidores podem utilizar o Pix também nesse tipo de relação de pagamento.
Embora ainda recente, a modalidade já apresenta sinais de adoção. O Banco Central do Brasil reportou que, em dezembro de 2025, o Pix Automático já havia somado quase 600 mil transações no mês.
Dados mais recentes levantados pela PagBrasil também mostram avanço após os primeiros meses de operação. Entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, o número de transações cresceu 182%, enquanto o número de usuários recorrentes aumentou 177%.
Esses primeiros indicadores mostram uma mudança importante em curso: um mercado historicamente apoiado nos cartões passa a incorporar uma infraestrutura de pagamentos recorrentes baseada no Pix, ampliando as alternativas disponíveis para empresas e consumidores.
Quais oportunidades a evolução desse mercado cria para as empresas?
Diante do crescimento do mercado de recorrência, das mudanças no comportamento dos consumidores e da evolução da infraestrutura de pagamentos, novas oportunidades se abrem para empresas que já operam ou pretendem operar com modelos recorrentes.
Ampliar o público endereçável
Com a ampliação dos meios de pagamento disponíveis para cobranças recorrentes, empresas podem alcançar consumidores com diferentes formas de pagar, reduzindo a dependência do cartão de crédito para aderir a um produto ou serviço por assinatura.
Esse é um ponto relevante em um mercado no qual o acesso ao cartão ainda não é universal. Um em cada quatro brasileiros não possui cartão de crédito, segundo dados do Serasa Experian divulgados em abril de 2026.
Nesse contexto, a evolução da infraestrutura de pagamentos recorrentes pode funcionar como uma alavanca para ampliar o alcance desses modelos, permitindo que as empresas atendam diferentes perfis de consumidores sem concentrar sua estratégia em um único meio de pagamento.
Aumentar o valor gerado pela base
Clientes já conquistados também podem representar uma oportunidade para modelos de assinatura e outras ofertas de receita recorrente. A partir da valorização de exclusividade e benefícios tangíveis apontada pelos estudos da McKinsey e PagBrasil, empresas podem criar novas formas de aprofundar esse relacionamento, estendendo-o para além de compras pontuais.
Ao criar uma relação de consumo mais duradoura, um modelo de receita recorrente também abre espaço para aumentar o valor gerado por cada cliente ao longo do tempo, com impacto potencial em métricas como o LTV (lifetime value). Para capturar esse valor, no entanto, a permanência também importa, tornando o acompanhamento do churn uma parte importante da operação.
Explorar modelos de receita recorrente em diferentes modelos de negócio
A diversidade do mercado de assinaturas mostra que modelos de receita recorrente podem ser aplicados a diferentes segmentos e modelos de negócio, indo além dos serviços tradicionalmente associados a esse tipo de relação de consumo.
Clubes de produtos físicos, plataformas que oferecem serviços de educação ou empresas ligadas ao universo gamer são exemplos de setores em que a recorrência já encontra aplicações, ampliando as possibilidades para empresas explorarem esse modelo de acordo com as características de seus produtos, serviços e públicos.
O que o crescimento da recorrência significa para as empresas?
Os dados apresentados ao longo deste panorama mostram um cenário de recorrência que já alcançou escala relevante no Brasil e continua evoluindo tanto nos modelos de assinatura quanto na infraestrutura utilizada para realizar cobranças recorrentes.
Para as empresas, esse cenário amplia as oportunidades de alcançar novos públicos, gerar mais valor a partir da base existente e explorar a recorrência em diferentes modelos de negócio. Mas o crescimento do mercado, por si só, não garante o crescimento de uma operação: é preciso estar preparado para transformar essa oportunidade em receita recorrente sustentável.
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Perguntas frequentes sobre pagamentos recorrentes no Brasil
Respostas rápidas para você se informar sobre o mercado de pagamentos brasileiro.
Qual é o tamanho do mercado de pagamentos recorrentes no Brasil?
O mercado de pagamentos recorrentes no Brasil movimentou R$ 86,9 bilhões somente em transações de cartão de crédito no primeiro semestre de 2026, segundo a Abecs. Embora não haja um único dado que dimensione todo o mercado, os números dos cartões ajudam a demonstrar sua escala.
Quanto o brasileiro gasta, em média, com assinaturas?
Segundo estudo da Bango realizado em 2024, o brasileiro gasta R$ 1.416 por ano em assinaturas.
Quantas assinaturas o brasileiro possui em média?
Ainda a partir do estudo da Bango, os brasileiros que consomem serviços em modelo de assinatura tendem a ter 3,8 serviços contratados.
Como o Pix Automático está impactando o mercado de assinaturas?
O Pix Automático amplia as alternativas disponíveis em um mercado de pagamentos recorrentes historicamente apoiado nos cartões, permitindo que consumidores utilizem o Pix também para cobranças recorrentes.
Além de diversificar os meios de pagamento, a modalidade oferece mais transparência e controle sobre as autorizações, que podem ser gerenciadas diretamente pelo aplicativo da instituição financeira.
Embora seja uma tecnologia recente, os primeiros dados de adoção já indicam que o Pix Automático está ganhando espaço no mercado brasileiro de recorrência.
Quais setores podem explorar modelos de receita recorrente?
Os modelos de receita recorrente podem ser aplicados a uma ampla variedade de setores. Serviços de streaming, plataformas de IA, armazenamento em nuvem, alimentação e produtos para pets estão entre as categorias que já adotam esse modelo.
A recorrência também encontra aplicações em segmentos como educação, produtos e serviços digitais, saúde e bem-estar, mostrando que as oportunidades não estão restritas a um único tipo de produto ou serviço.